Black Friday disputa com Natal a liderança em vendas do varejo

Nos Estados Unidos, o Dia de Ação de Graças é comemorado na quarta quinta-feira do mês de novembro e, em algumas regiões do país, é até mais importante que o Natal. Como a maioria “emenda” o feriado, comerciantes tiveram a ideia de atrair o consumidor às compras na sexta-feira, dando grandes descontos.

Assim foi inventada a Black Friday, que chegou ao Brasil em 2010, via e-commerce. O varejo físico gostou e não demorou a embarcar na onda, que só fez crescer: o modesto faturamento de R$ 3 milhões da primeira edição pulou para R$ 2,4 bilhões em 2018 (na estimativa do Ebit/ Nielsen).

Mas, enquanto no Natal as pessoas estão mais voltadas à confraternização, aos encontros com amigos e festas, a Black Friday é encarada como uma data para gastar, usando o dinheiro extra do 13º salário para aproveitar as ofertas e comprar coisas para si, para casa ou antecipar os presentes de Natal.

Resultado: a Black Friday vai aos poucos se consolidando como a mais importante data do varejo. É isso que apontam dados de localização indoor, que permitem mapear o contexto e o comportamento do consumidor no mundo off-line.

Quer ver? De acordo com o database da InLoco (que conta com 60 milhões de usuários únicos e registra um bilhão de visitas a cada mês), quando se compara Black Friday com Natal – base 2017 – percebe-se algumas mudanças de comportamentos que podem ajudar diversos empresários do varejo de alimentos, roupas, materiais de construção dentre outros a programarem a demanda provável para os próximos 15 dias que precedem o Natal.

Varejo de alimentos: restaurante, bares ou supermercados?

Uma característica de comportamento que vale destacar é o aumento no fluxo médio de pessoas em restaurantes. Como a Black Friday marca também o início de dezembro, o estudo da In Loco mostra que esta categoria de estabelecimento registra um boom de demanda em todos os dias da semana até o Natal.

Os picos, porém, acontecem às sextas-feiras. Um dos possíveis motivos é a velha tradição brasileira em que colegas de trabalho aproveitam o último dia útil da semana para fazer o que em algumas regiões é conhecido como “almoço feliz”: um almoço mais longo e descontraído que costumam lotar os restaurantes em centros urbanos.

No fim de semana anterior ao Natal, outro dado interessante na curva de visitas mostra que o aumento do fluxo começou um pouco antecipado: na quinta-feira se mantendo em alta até o sábado dia 23.

Ao se comparar o comportamento dos consumidores entre restaurantes e bares, os dados indicam que o volume total de pessoas que preferem ir a primeira categoria de lugares em detrimento da segunda é bastante superior.

Considerando a base In Loco, temos em média um delta de 300 mil consumidores por dia a mais em restaurantes do que em bares.

Outra diferença é que o pico de fluxo de visitas em bares acontece aos sábados. Nos restaurantes é às sextas – lembrando que a base contabiliza almoços e jantares.

E ao contrário dos restaurantes que continuam atraindo muitos consumidores mesmo no fim de semana do Natal, os bares sofrem mais para atrair consumidores nos dias 21, 22 e 23 de dezembro.

É justamente nestes dias pré-festa natalina que acontece outra mudança relevante para o varejo: este é o único fim de semana do período analisado que os supermercados atraem mais consumidores do que os bares.

Varejo de construção e decoração

Quando o assunto é decoração de casa, a comparação da Black Friday com Natal chega a ser injusta. A última sexta-feira de novembro faz mesmo as pessoas darem um jeito na agenda e correrem para as lojas de móveis para aproveitarem as liquidações.

Já para as lojas de construção, a data não pareceu ser um atrativo tão significativo ainda que tenha apresentando um incremento no fluxo. Como se percebe pelo gráfico, a variação de visitas de consumidores nos estabelecimentos da categoria é bem mais regular e constante durante os dias de semana do mês de dezembro.

Varejo de presentes

Considerando lojas de departamentos, de roupas, de departamentos e os shoppings, o grande fluxo de visitas se concentra na última categoria. Vale pontuar, no entanto, que o pico da Black Friday é bastante similar a outros sábados e mesmo ao movimento de visitas registrado no feriado nacional de 15 de novembro.

Uma curiosidade que surge dos dados da In Loco quando o assunto é varejo de roupas, sapatos e afins é que o fluxo de visitas muda ligeiramente nos dias mais próximos ao Natal. No dia 21 de dezembro, os shoppings registram pico de movimentação; no dia 22 é a vez das lojas de roupas; e no dia 23, as lojas de departamento.

Entretenimento

Mas nem tudo que acontece entre a Black Friday e o Natal está relacionado a compras. Na categoria “diversão”, considerando Lugares Culturais (museus, galerias, teatros), Cinemas e Boates, foram os “Lugares Culturais” que mais atraíram pessoas. Em seguida, aparecem boates e, finalmente, cinemas.

Onde o varejo deve apostar no fim de 2019?

Dados históricos de localização indoor são grandes aliados para entender a jornada do consumidor e assim traçar estratégias mais assertivas de comunicação entre marcas e seus consumidores ou entre aplicativos e seus usuários.

Como os dados acima demonstraram, os próximos dez dias até o Natal são uma ótima oportunidade para que o varejo aproveite o fluxo de visitas para atrair o consumidor para suas lojas.

Entender nuances das diferenças do fluxo em bares e restaurantes ou entre lojas e shoppings podem trazer insights para equilibrar o fluxo de visitas no seu estabelecimento, com impacto imediato nas receitas.

A festa de Natal ainda pode se converter na festa de vendas do varejo e superar o movimento da Black Friday. A chave para o sucesso é entender a jornada do consumidor e procurar o parceiro certo para criar uma estratégia de comunicação que aumente as chances do seu consumidor a preferir seu estabelecimento ao invés do seu concorrente.

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